Páginas

Pesquise no Blog do Ferdy

Mostrando postagens com marcador Anjos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anjos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Santa Teresinha e os Santos Anjos


             Santa Teresinha de Lisieux tinha uma devoção particular aos Santos Anjos, que combina muito bem com o seu pequeno caminho. Não foi o próprio Senhor que aliou a presença e o cuidado dos Santos Anjos à infância espiritual ao ensinar: "Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque Eu vos digo que seus Anjos no Céu contemplam sem cessar a Face de Meu Pai que está nos Céus" (Mt 18,10)? Ao examinarmos o que Santa Teresinha diz sobre os Anjos, não devemos esperar um tratado detalhado, é mais uma "melodia" que nasce do seu coração.
            Os Santos Anjos faziam parte da sua vida desde a mais tenra infância.

Já aos nove anos, antes da sua primeira Comunhão, Teresinha se consagrou aos Santos Anjos como membro da Irmandade dos Santos Anjos: "Consagro-me solenemente ao vosso serviço. Na presença de Deus, da bem-aventurada Virgem Maria e das minhas companheiras, prometo guardar a fidelidade e esforçar-me para imitar as vossas virtudes, especialmente o vosso zelo, a vossa humildade, obediência e pureza". Sendo ainda aspirante, havia rezado: "Prometo venerar especialmente os Santos Anjos e Maria, sua augusta Rainha... Com toda diligência quero me esforçar para emendar minhas faltas, adquirir as virtudes e cumprir meus deveres escolares e cristãos". Os membros dessa Associação cultivavam também uma devoção especial ao Anjo da Guarda, ao qual rezavam: "Santo Anjo de Deus, príncipe do céu, sois um vigilante guarda e amoroso pastor. Alegro-me com as múltiplas perfeições com as quais Deus vos criou. Alegro-me por terdes sido santificado por Suas graças e coroado de glória em recompensa da fidelidade em Seu serviço. Deus seja eternamente louvado por todos os benefícios que Ele vos dispensou. Sede também vós louvado por todo o bem que nos fazeis! Dou-vos o meu corpo, minha alma, minha memória, minha inteligência, minha fantasia e minha vontade. Regei-me, iluminai-me, purificai-me e disponde de mim segundo o vosso agrado" (Manual da Associação dos Santos Anjos, Tournai).

            Só o fato de, como criança, ela fazer essa consagração e rezar essas orações, evidentemente não significa ainda que os Santos Anjos formam uma parte da doutrina espiritual da futura Doutora da Igreja. Porém, depois de amadurecer, não somente voltou com alegria a essas consagrações, mas entregou-se, de diversas formas, aos cuidados dos Santos Anjos, como veremos mais adiante. Isso mostra quanta importância ela dava a essa ligação com os Santos Anjos. Na História de uma alma, ela escreve: "Quase imediatamente depois da minha entrada no colégio das freiras, fui recebida na Associação dos Santos Anjos; amava as devoções que ela prescrevia, porque me sentia atraída pela invocação dos Espíritos celestes, principalmente daquele que Deus me deu como companheiro do meu exílio" (História de uma alma, cap. IV, 40v).




O SANTO ANJO DA GUARDA
            Teresinha cresceu numa família que venerava muito os Santos Anjos. Em diversas ocasiões seus pais falavam espontaneamente sobre eles (cf. História de uma alma, cap. I, 5; Carta 120). Também Paulina, sua irmã mais velha, assegurava-lhe diariamente que os Anjos estariam com ela para vigiar e protegê-la (cf. História de uma alma, cap. II, 18 v). Na sua peça teatral, A fuga para o Egito, ela entra em aspectos importantes da missão do Anjo da Guarda. A bem-aventurada Virgem diz a Susana, esposa de um bandido e mãe do pequeno Dimas que sofre de lepra: "Desde seu nascimento, Dimas é acompanhado sempre por um mensageiro celeste que nunca o abandona. Assim como ele, vós também tendes um Anjo encarregado de vos guardar, dia e noite; ele é quem vos inspira bons pensamentos e as ações virtuosas". Susana responde: "Ninguém, além de vós, inspirou-me bons pensamentos e ainda não vi o mensageiro do qual me falais". Maria assegura-lhe: "Bem sei que nunca o viste, porque o Anjo ao teu lado é invisível, todavia, ele está aí e é tão real como eu mesma. É graças às suas inspirações celestes que sentistes o desejo de conhecer a Deus e de vê-l'O aproximar-Se de vós. Todo o tempo do vosso exílio na terra, essas coisas serão mistério para vós, mas quando o tempo acabar, vereis o Filho de Deus na Sua majestade, vindo sobre as nuvens do Céu acompanhado de todas as Suas legiões de Anjos" (2o Ato, Cena 6). Desta forma, Teresinha nos dá a entender que, durante a sua "carreira" de bandido, o Anjo de Dimas guardou-lhe fidelidade e ajudou-lhe a reconhecer finalmente a Divindade de Cristo na Cruz e a ter ânsia de ir para Deus, de maneira que, no último momento, com a ajuda do Santo Anjo ele conquistou o Céu e se tornou o Bom Ladrão.

            Procurava a orientação e a proteção do Anjo da Guarda na sua vida pessoal para não cair em pecado: "Anjo da minha Guarda, cobre-me com as tuas asas, clareia com teus fogos a estrada que sigo; vem dirigir meus passos e auxiliar-me, te peço, agora no presente". "Ó meu Santo Anjo da Guarda! Cobri-me sempre com vossas asas para que eu jamais tenha a infelicidade de ofender a Jesus" (Poesia5, versículo 12 e Oração 5, versículo 7v). Confiando na íntima amizade com seu Anjo, Teresinha não temia pedir-lhe grandes graças. Assim, ela escreveu ao seu tio que estava de luto pela morte de um amigo: "Confio-me ao meu bom Anjo, penso que um mensageiro celeste vai se ocupar do meu recado, envio-o junto do meu caro tio, para derramar o consolo no Seu coração, tanto quanto pode a nossa alma conter neste vale de exílio..." (Carta 59, 22 de agosto de 1888). Da mesma forma, ela podia mandar o seu Anjo ao santo Sacrifício da Missa que seu irmão espiritual, Pe. Roulland, missionário na China, celebrava para ela: "No dia 25 de dezembro, não deixarei de enviar o meu Anjo a fim de que coloque as minhas intenções junto à hóstia que será consagrada por vós" (Carta 201, 1o de novembro de 1896).



UNIDA AOS ANJOS
            Santa Teresinha não procurava nem visões nem consolações: "Como sabeis, o meu pequeno caminho consiste justamente nisso que não se procura ser alguma coisa. Sabeis bem o que disse tantas vezes a Deus, aos Anjos e aos Santos: que não tenho o desejo de vê-los no aquém ..." (O Caderno Amarelo, 4 de junho de 1897). "Também nunca desejava ter visões. Na terra, não se podem ver os Anjos como são. Prefiro esperar até a minha morte" (idem, 5 de agosto de 1897). Não lhe parecia ser uma coisa extraordinária ficar, muitas vezes, sem consolo na Santa Comunhão. "Não posso dizer que nas minhas ações de graças tenha recebido muitas consolações. Talvez sejam os momentos em que menos sinto consolo... Isto me parece muito natural porque me ofereci a Jesus não como alguém que deseja receber a Sua visita para a própria consolação, mas antes para a alegria d'Aquele que Se dá a mim" (Manuscritos autobiográficos, p. 179). Como ela se preparava para a vinda do Senhor na Santa Comunhão? Continua relatando: "Imagino minha alma como uma área livre, e peço à Santíssima Virgem remover todo o entulho que a impediria de ser livre. Depois, suplico-lhe que ela mesma levante ali uma ampla tenda digna do Céu, e a adorne com seus próprios ornamentos. A seguir, convido todos os Santos e Anjos a vir e executar um grandioso concerto. Ao que me parece, quando Jesus desce ao meu coração, fica contente por se ver tão bem recebido, de minha parte eu também fico contente..." (idem). Também os Anjos alegram-se com essa ceia nupcial que nos constitui como 'seus irmãos'.
            Teresinha não se contentava só com a ajuda dos Anjos, desejava também a sua amizade e uma participação muito íntima na grandeza do seu amor a Deus. Ela desejava ser adotada como filha, como exprime na oração: "Ó Jesus, sei que 'amor só com amor se paga'. Por isso, procurei e encontrei um meio de consolar meu coração, retribuindo-Te amor com amor. ... Lembrando-me da súplica de Eliseu a seu Pai Elias, quando se animou a pedir-lhe seu espírito em dobro, apresentei-me diante dos Anjos e Santos e falei-lhes: 'Sou a mínima das criaturas, conheço minha miséria e fraqueza, mas sei também quanto os corações nobres e generosos gostam de fazer algum bem. Suplico-vos, portanto, bem-aventurados Moradores do Céu, adotai-me como filha. Para vós, unicamente,será a glória que me fizerdes adquirir. Dignai-vos, porém, atender minha súplica, que é ousada, bem o sei, mas ainda assim tenho a audácia de vos pedir que me obtenhais vosso amor em dobro" (Manuscritos Autobiográficos, p. 202). Santa Teresinha não somente aproveitou a intercessão e o auxílio dos Anjos, mas até chegou a 'exigir' uma participação na santidade deles a fim de que pudesse crescer nela. Suplicava também a seu Anjo da Guarda: "Ó belo Anjo da pátria, dai-me o vosso zelo! Não tenho nada a não ser os meus sacrifícios e a minha pobreza. Com a vossa bem-aventurança, oferecei-os à Santíssima Trindade!" (Poesia 46: "A meu Anjo da Guarda").
            Teresinha sentia-se profundamente ligada aos Anjos através da sua consagração religiosa. "A castidade faz-me irmã dos Anjos, dos espíritos puros e vitoriosos" (Poesia 48: "Minhas armas"). Os Anjos apreciam muito os consagrados a Deus devido à sua relação esponsal com Cristo - na qual toda alma pode participar. Por ocasião da sua Profissão Religiosa, a nossa Santa escreveu para a Irmã Maria Madalena do Santíssimo Sacramento: "Hoje, os Anjos têm inveja de vós, Maria, por causa da vossa felicidade de ser noiva do Senhor, o que os Anjos também gostariam de ser" (Poesia 10: "História de uma pastora que se tornou rainha").


O SOFRIMENTO E OS ANJOS
            Teresinha tinha consciência da diferença entre Anjo e homem. Pensar-se-ia que ela teria inveja dos Anjos, mas é o contrário! Ela tinha entendido a grandeza da Encarnação."Quando vejo o Eterno envolvido em paninhos e ouço o fraco choro desse Verbo divino, ó Mãe querida, não invejo mais os Anjos, porquanto o Onipotente é meu amado Irmão! ..." (Poesia 54: "Porque eu te amo, Maria"). Também os Anjos compreendem profundamente o alcance da Encarnação e teriam, se fosse possível, inveja de nós pobres criaturas de carne e sangue. Num teatro natalino, no qual ela dá nomes aos Anjos conforme suas tarefas em relação a Cristo - por exemplo, o Anjo do Menino Jesus, o Anjo da Sagrada Face, o Anjo da Eucaristia - ela coloca na boca do Anjo do Juízo Final o canto: "Diante de Ti, doce Criança, o Querubim se inclina! Admira, espantado, Teu inefável amor. Quer, como Tu, sobre a sombria colina poder um dia morrer!" Então todos os Anjos cantam o estribilho: "Como é imensa a alegria da humilde criatura. Nos seus arrebatamentos os Serafins desejam deixar, ó Jesus, a angélica natureza, e fazer-se criança!". (Os Anjos no presépio, cena final). Aqui nos deparamos com o motivo da estima de Santa Teresinha para com os Anjos, isto é: sua 'santa inveja' em relação aos homens, pelos quais o Filho de Deus Se fez homem e morreu.

            Na poesia em honra de Santa Cecília, um Serafim explica esse mistério a Valeriano da seguinte forma: "Eu me abismo em Deus, Seus encantos contemplo, mas não posso imolar-me nem sofrer por Ele. Não posso Lhe ofertar nem lágrimas nem sangue; apesar de todo meu amor, não posso morrer... A pureza de um Anjo é a herança luminosa de uma felicidade imensa que não passa, mas neste ponto, sim, vós venceis os Serafins: sois puros e, além disso, ainda podeis sofrer" (Poesia 3: Santa Cecília).
            Mais adiante, Jesus Se dirige a um Anjo com as seguintes palavras cheias de luz e consolo: "Ó tu! que quiseste na terra compartilhar Minha cruz, Minha dor; belo Anjo, escuta este mistério: toda alma padecente é irmã tua. No Céu, o brilho do seu sofrimento virá também na tua fronte recair, e o brilho da tua pura essência iluminará o mártir!" (Os Anjos no presépio, Cena 5,10-11).      Portanto, no Céu, Anjo e homem terão comunhão, parte e alegria com a glória do outro. Assim, na economia da salvação existe uma maravilhosa e íntima comunhão de pessoas.


A SUA MISSÃO NO CÉU E NA TERRA
            Aproximando-se da morte, Santa Teresinha confessou: "Sinto que vou entrar no repouso... Mas sinto principalmente que minha missão vai começar; minha missão de fazer com que amem o bom Deus como eu O amo; de dar às almas a minha pequena via. Se o bom Deus realizar os meus desejos, meu Céu se passará na terra, até o fim do mundo. Sim, quero passar o meu Céu fazendo bem sobre a terra. Não é impossível, pois na própria visão beatífica os Anjos velam por nós" (O Caderno Amarelo, 17 de julho de 1897). Assim vemos qual concepção da sua missão celestial ela tinha, à luz do serviço dos Anjos.
            Ao Pe. Roulland ela escreve: "Ah! Meu irmão, sinto, ser-vos-ei muito mais útil no Céu do que sobre a terra e é com felicidade que venho anunciar-vos meu próximo ingresso nessa bem-aventurada Cidade, certa de que compartilhareis da minha alegria e agradecereis ao Senhor por dar-me os meios para ajudar-vos mais eficazmente nas vossas obras apostólicas. Não pretendo ficar inativa no Céu, meu desejo é continuar trabalhando para a Igreja e as almas. Peço isto a Deus e tenho certeza que Ele atenderá meu pedido. Sem que cessem de ver a divina Face, perdendo-se no Oceano infinito do Amor, os Anjos não se ocupam de nós continuamente? Por que Jesus não me permitiria imitá-los?" (Carta 254, 14 de julho de 1897).



PENSAMENTO FINAL
            Vejamos o pequeno caminho de Santa Teresinha na luz dos Anjos! Os Anjos constituem um elemento importante da sua vida interior. Eles eram seus companheiros e irmãos, sua luz, sua força e sua proteção no caminho espiritual. Podia contar com eles, os servos fiéis de nosso Senhor Jesus Cristo.            A eles, Teresinha tinha se consagrado quando era criança, e a eles se confiava como filha espiritual quando já adulta. Santa Teresinha é uma estrela que guia os membros da Obra dos Santos Anjos porque, se não nos tornarmos como crianças - e essa é a essência do pequeno caminho - nunca chegaremos a uma relação verdadeiramente íntima com os Santos Anjos. Só nesse caminho poderemos cumprir a nossa missão no serviço de Cristo e da Sua Igreja em união com os Santos Anjos.

domingo, 2 de outubro de 2011

' Oração ao Santo Anjo, de Santa Teresinha.

"Augusto Anjo da minha alma, que perto do Trono do Eterno, brilhas no belo céu como uma chama delicada e pura, tu vens a mim nesta terra e iluminas-me com tua luz.
Anjo belo, te tornaste meu irmão, meu amigo e meu consolador. Conhecendo minha grande fraqueza, conduze-me pela mão. E te vejo, cheio de ternura, tirar a pedra do caminho. Sempre, tua voz amável me convida a olhar somente para os céus.
Ó tu, que percorres o espaço mais veloz que os raios, voa amiúde, em meu lugar, àqueles que me são caros! Com tua asa enxuga suas lágrimas!
Canta como JESUS é bom! Canta como o sofrer tem alegrias! Quero em minha curta vida, salvar meus irmãos, os pecadores.
Ó belo mensageiro da pátria celeste, dá-me teu ardor! Nada tenho senão minhas oferendas e minha singela pobreza. Unidas com as tuas glórias puras, leva-as ao DEUS Trino. Amém."

' Santa Teresinha e os Santos Anjos .

SANTA TERESINHA E OS SANTOS ANJOS

            Santa Teresinha de Lisieux tinha uma devoção particular aos Santos Anjos, que combina muito bem com o seu pequeno caminho. Não foi o próprio Senhor que aliou a presença e o cuidado dos Santos Anjos à infância espiritual ao ensinar: "Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque Eu vos digo que seus Anjos no Céu contemplam sem cessar a Face de Meu Pai que está nos Céus" (Mt 18,10)? Ao examinarmos o que Santa Teresinha diz sobre os Anjos, não devemos esperar um tratado detalhado, é mais uma "melodia" que nasce do seu coração.
            Os Santos Anjos faziam parte da sua vida desde a mais tenra infância.
Já aos nove anos, antes da sua primeira Comunhão, Teresinha se consagrou aos Santos Anjos como membro da Irmandade dos Santos Anjos: "Consagro-me solenemente ao vosso serviço. Na presença de Deus, da bem-aventurada Virgem Maria e das minhas companheiras, prometo guardar a fidelidade e esforçar-me para imitar as vossas virtudes, especialmente o vosso zelo, a vossa humildade, obediência e pureza". Sendo ainda aspirante, havia rezado: "Prometo venerar especialmente os Santos Anjos e Maria, sua augusta Rainha... Com toda diligência quero me esforçar para emendar minhas faltas, adquirir as virtudes e cumprir meus deveres escolares e cristãos". Os membros dessa Associação cultivavam também uma devoção especial ao Anjo da Guarda, ao qual rezavam: "Santo Anjo de Deus, príncipe do céu, sois um vigilante guarda e amoroso pastor. Alegro-me com as múltiplas perfeições com as quais Deus vos criou. Alegro-me por terdes sido santificado por Suas graças e coroado de glória em recompensa da fidelidade em Seu serviço. Deus seja eternamente louvado por todos os benefícios que Ele vos dispensou. Sede também vós louvado por todo o bem que nos fazeis! Dou-vos o meu corpo, minha alma, minha memória, minha inteligência, minha fantasia e minha vontade. Regei-me, iluminai-me, purificai-me e disponde de mim segundo o vosso agrado" (Manual da Associação dos Santos Anjos, Tournai).
            Só o fato de, como criança, ela fazer essa consagração e rezar essas orações, evidentemente não significa ainda que os Santos Anjos formam uma parte da doutrina espiritual da futura Doutora da Igreja. Porém, depois de amadurecer, não somente voltou com alegria a essas consagrações, mas entregou-se, de diversas formas, aos cuidados dos Santos Anjos, como veremos mais adiante. Isso mostra quanta importância ela dava a essa ligação com os Santos Anjos. Na História de uma alma, ela escreve: "Quase imediatamente depois da minha entrada no colégio das freiras, fui recebida na Associação dos Santos Anjos; amava as devoções que ela prescrevia, porque me sentia atraída pela invocação dos Espíritos celestes, principalmente daquele que Deus me deu como companheiro do meu exílio" (História de uma alma, cap. IV, 40v).


O SANTO ANJO DA GUARDA
            Teresinha cresceu numa família que venerava muito os Santos Anjos. Em diversas ocasiões seus pais falavam espontaneamente sobre eles (cf. História de uma alma, cap. I, 5; Carta 120). Também Paulina, sua irmã mais velha, assegurava-lhe diariamente que os Anjos estariam com ela para vigiar e protegê-la (cf. História de uma alma, cap. II, 18 v). Na sua peça teatral, A fuga para o Egito, ela entra em aspectos importantes da missão do Anjo da Guarda. A bem-aventurada Virgem diz a Susana, esposa de um bandido e mãe do pequeno Dimas que sofre de lepra: "Desde seu nascimento, Dimas é acompanhado sempre por um mensageiro celeste que nunca o abandona. Assim como ele, vós também tendes um Anjo encarregado de vos guardar, dia e noite; ele é quem vos inspira bons pensamentos e as ações virtuosas". Susana responde: "Ninguém, além de vós, inspirou-me bons pensamentos e ainda não vi o mensageiro do qual me falais". Maria assegura-lhe: "Bem sei que nunca o viste, porque o Anjo ao teu lado é invisível, todavia, ele está aí e é tão real como eu mesma. É graças às suas inspirações celestes que sentistes o desejo de conhecer a Deus e de vê-l'O aproximar-Se de vós. Todo o tempo do vosso exílio na terra, essas coisas serão mistério para vós, mas quando o tempo acabar, vereis o Filho de Deus na Sua majestade, vindo sobre as nuvens do Céu acompanhado de todas as Suas legiões de Anjos" (2o Ato, Cena 6). Desta forma, Teresinha nos dá a entender que, durante a sua "carreira" de bandido, o Anjo de Dimas guardou-lhe fidelidade e ajudou-lhe a reconhecer finalmente a Divindade de Cristo na Cruz e a ter ânsia de ir para Deus, de maneira que, no último momento, com a ajuda do Santo Anjo ele conquistou o Céu e se tornou o Bom Ladrão.
            Procurava a orientação e a proteção do Anjo da Guarda na sua vida pessoal para não cair em pecado: "Anjo da minha Guarda, cobre-me com as tuas asas, clareia com teus fogos a estrada que sigo; vem dirigir meus passos e auxiliar-me, te peço, agora no presente". "Ó meu Santo Anjo da Guarda! Cobri-me sempre com vossas asas para que eu jamais tenha a infelicidade de ofender a Jesus" (Poesia5, versículo 12 e Oração 5, versículo 7v). Confiando na íntima amizade com seu Anjo, Teresinha não temia pedir-lhe grandes graças. Assim, ela escreveu ao seu tio que estava de luto pela morte de um amigo: "Confio-me ao meu bom Anjo, penso que um mensageiro celeste vai se ocupar do meu recado, envio-o junto do meu caro tio, para derramar o consolo no Seu coração, tanto quanto pode a nossa alma conter neste vale de exílio..." (Carta 59, 22 de agosto de 1888). Da mesma forma, ela podia mandar o seu Anjo ao santo Sacrifício da Missa que seu irmão espiritual, Pe. Roulland, missionário na China, celebrava para ela: "No dia 25 de dezembro, não deixarei de enviar o meu Anjo a fim de que coloque as minhas intenções junto à hóstia que será consagrada por vós" (Carta 201, 1o de novembro de 1896).



UNIDA AOS ANJOS
            Santa Teresinha não procurava nem visões nem consolações: "Como sabeis, o meu pequeno caminho consiste justamente nisso que não se procura ser alguma coisa. Sabeis bem o que disse tantas vezes a Deus, aos Anjos e aos Santos: que não tenho o desejo de vê-los no aquém ..." (O Caderno Amarelo, 4 de junho de 1897). "Também nunca desejava ter visões. Na terra, não se podem ver os Anjos como são. Prefiro esperar até a minha morte" (idem, 5 de agosto de 1897). Não lhe parecia ser uma coisa extraordinária ficar, muitas vezes, sem consolo na Santa Comunhão. "Não posso dizer que nas minhas ações de graças tenha recebido muitas consolações. Talvez sejam os momentos em que menos sinto consolo... Isto me parece muito natural porque me ofereci a Jesus não como alguém que deseja receber a Sua visita para a própria consolação, mas antes para a alegria d'Aquele que Se dá a mim" (Manuscritos autobiográficos, p. 179). Como ela se preparava para a vinda do Senhor na Santa Comunhão? Continua relatando: "Imagino minha alma como uma área livre, e peço à Santíssima Virgem remover todo o entulho que a impediria de ser livre. Depois, suplico-lhe que ela mesma levante ali uma ampla tenda digna do Céu, e a adorne com seus próprios ornamentos. A seguir, convido todos os Santos e Anjos a vir e executar um grandioso concerto. Ao que me parece, quando Jesus desce ao meu coração, fica contente por se ver tão bem recebido, de minha parte eu também fico contente..." (idem). Também os Anjos alegram-se com essa ceia nupcial que nos constitui como 'seus irmãos'.
            Teresinha não se contentava só com a ajuda dos Anjos, desejava também a sua amizade e uma participação muito íntima na grandeza do seu amor a Deus. Ela desejava ser adotada como filha, como exprime na oração: "Ó Jesus, sei que 'amor só com amor se paga'. Por isso, procurei e encontrei um meio de consolar meu coração, retribuindo-Te amor com amor. ... Lembrando-me da súplica de Eliseu a seu Pai Elias, quando se animou a pedir-lhe seu espírito em dobro, apresentei-me diante dos Anjos e Santos e falei-lhes: 'Sou a mínima das criaturas, conheço minha miséria e fraqueza, mas sei também quanto os corações nobres e generosos gostam de fazer algum bem. Suplico-vos, portanto, bem-aventurados Moradores do Céu, adotai-me como filha. Para vós, unicamente,será a glória que me fizerdes adquirir. Dignai-vos, porém, atender minha súplica, que é ousada, bem o sei, mas ainda assim tenho a audácia de vos pedir que me obtenhais vosso amor em dobro" (Manuscritos Autobiográficos, p. 202). Santa Teresinha não somente aproveitou a intercessão e o auxílio dos Anjos, mas até chegou a 'exigir' uma participação na santidade deles a fim de que pudesse crescer nela. Suplicava também a seu Anjo da Guarda: "Ó belo Anjo da pátria, dai-me o vosso zelo! Não tenho nada a não ser os meus sacrifícios e a minha pobreza. Com a vossa bem-aventurança, oferecei-os à Santíssima Trindade!" (Poesia 46: "A meu Anjo da Guarda").
            Teresinha sentia-se profundamente ligada aos Anjos através da sua consagração religiosa. "A castidade faz-me irmã dos Anjos, dos espíritos puros e vitoriosos" (Poesia 48: "Minhas armas"). Os Anjos apreciam muito os consagrados a Deus devido à sua relação esponsal com Cristo - na qual toda alma pode participar. Por ocasião da sua Profissão Religiosa, a nossa Santa escreveu para a Irmã Maria Madalena do Santíssimo Sacramento: "Hoje, os Anjos têm inveja de vós, Maria, por causa da vossa felicidade de ser noiva do Senhor, o que os Anjos também gostariam de ser" (Poesia 10: "História de uma pastora que se tornou rainha").

O SOFRIMENTO E OS ANJOS
            Teresinha tinha consciência da diferença entre Anjo e homem. Pensar-se-ia que ela teria inveja dos Anjos, mas é o contrário! Ela tinha entendido a grandeza da Encarnação."Quando vejo o Eterno envolvido em paninhos e ouço o fraco choro desse Verbo divino, ó Mãe querida, não invejo mais os Anjos, porquanto o Onipotente é meu amado Irmão! ..." (Poesia 54: "Porque eu te amo, Maria"). Também os Anjos compreendem profundamente o alcance da Encarnação e teriam, se fosse possível, inveja de nós pobres criaturas de carne e sangue. Num teatro natalino, no qual ela dá nomes aos Anjos conforme suas tarefas em relação a Cristo - por exemplo, o Anjo do Menino Jesus, o Anjo da Sagrada Face, o Anjo da Eucaristia - ela coloca na boca do Anjo do Juízo Final o canto: "Diante de Ti, doce Criança, o Querubim se inclina! Admira, espantado, Teu inefável amor. Quer, como Tu, sobre a sombria colina poder um dia morrer!" Então todos os Anjos cantam o estribilho: "Como é imensa a alegria da humilde criatura. Nos seus arrebatamentos os Serafins desejam deixar, ó Jesus, a angélica natureza, e fazer-se criança!". (Os Anjos no presépio, cena final). Aqui nos deparamos com o motivo da estima de Santa Teresinha para com os Anjos, isto é: sua 'santa inveja' em relação aos homens, pelos quais o Filho de Deus Se fez homem e morreu.
            Na poesia em honra de Santa Cecília, um Serafim explica esse mistério a Valeriano da seguinte forma: "Eu me abismo em Deus, Seus encantos contemplo, mas não posso imolar-me nem sofrer por Ele. Não posso Lhe ofertar nem lágrimas nem sangue; apesar de todo meu amor, não posso morrer... A pureza de um Anjo é a herança luminosa de uma felicidade imensa que não passa, mas neste ponto, sim, vós venceis os Serafins: sois puros e, além disso, ainda podeis sofrer" (Poesia 3: Santa Cecília).
            Mais adiante, Jesus Se dirige a um Anjo com as seguintes palavras cheias de luz e consolo: "Ó tu! que quiseste na terra compartilhar Minha cruz, Minha dor; belo Anjo, escuta este mistério: toda alma padecente é irmã tua. No Céu, o brilho do seu sofrimento virá também na tua fronte recair, e o brilho da tua pura essência iluminará o mártir!" (Os Anjos no presépio, Cena 5,10-11).      Portanto, no Céu, Anjo e homem terão comunhão, parte e alegria com a glória do outro. Assim, na economia da salvação existe uma maravilhosa e íntima comunhão de pessoas.

A SUA MISSÃO NO CÉU E NA TERRA
            Aproximando-se da morte, Santa Teresinha confessou: "Sinto que vou entrar no repouso... Mas sinto principalmente que minha missão vai começar; minha missão de fazer com que amem o bom Deus como eu O amo; de dar às almas a minha pequena via. Se o bom Deus realizar os meus desejos, meu Céu se passará na terra, até o fim do mundo. Sim, quero passar o meu Céu fazendo bem sobre a terra. Não é impossível, pois na própria visão beatífica os Anjos velam por nós" (O Caderno Amarelo, 17 de julho de 1897). Assim vemos qual concepção da sua missão celestial ela tinha, à luz do serviço dos Anjos.
            Ao Pe. Roulland ela escreve: "Ah! Meu irmão, sinto, ser-vos-ei muito mais útil no Céu do que sobre a terra e é com felicidade que venho anunciar-vos meu próximo ingresso nessa bem-aventurada Cidade, certa de que compartilhareis da minha alegria e agradecereis ao Senhor por dar-me os meios para ajudar-vos mais eficazmente nas vossas obras apostólicas. Não pretendo ficar inativa no Céu, meu desejo é continuar trabalhando para a Igreja e as almas. Peço isto a Deus e tenho certeza que Ele atenderá meu pedido. Sem que cessem de ver a divina Face, perdendo-se no Oceano infinito do Amor, os Anjos não se ocupam de nós continuamente? Por que Jesus não me permitiria imitá-los?" (Carta 254, 14 de julho de 1897).

PENSAMENTO FINAL
            Vejamos o pequeno caminho de Santa Teresinha na luz dos Anjos! Os Anjos constituem um elemento importante da sua vida interior. Eles eram seus companheiros e irmãos, sua luz, sua força e sua proteção no caminho espiritual. Podia contar com eles, os servos fiéis de nosso Senhor Jesus Cristo.            A eles, Teresinha tinha se consagrado quando era criança, e a eles se confiava como filha espiritual quando já adulta. Santa Teresinha é uma estrela que guia os membros da Obra dos Santos Anjos porque, se não nos tornarmos como crianças - e essa é a essência do pequeno caminho - nunca chegaremos a uma relação verdadeiramente íntima com os Santos Anjos. Só nesse caminho poderemos cumprir a nossa missão no serviço de Cristo e da Sua Igreja em união com os Santos Anjos.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

L'Osservatore Romano escreve sobre Mãe Gabriele Bitterlich e a Opus Angelorum


Aqueles que vêem a face do PAI

Com data de 2 de outubro de 2010, a Congregação para a Doutrina da Fé enviou aos presidentes das Conferências episcopais uma carta circular sobre a associação "Opus Angelorum", depois publicada na edição portuguesa de L'Osservatore Romano, no dia 13 de novembro de 2010, p. 16. Nesta carta, a Congregação informa, em particular, sobre a aprovação do "Estatuto do Opus Sanctorum Angelorum" por parte da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica e sobre a aprovação da "fórmula de uma consagração aos Santos Anjos para o Opus Angelorum" por parte da Congregação para a Doutrina da Fé. Parece, portanto, oportuno ilustrar brevemente a espiritualidade desta Obra dos Santos Anjos a qual, assim como se apresenta hoje, é "uma associação pública da Igreja em conformidade com a doutrina tradicional e as diretrizes da Suprema Autoridade; difunde entre os fiéis a devoção aos Santos Anjos, exorta à oração pelos sacerdotes, promove o amor a Jesus Cristo na Sua paixão e a união à mesma" (Carta da CDF).
 
Qual é, portanto, a espiritualidade desta associação? E qual tem sido o seu caminho até ao estado atual, ao qual se refere a carta da Congregação para a Doutrina da Fé? O Opus Sanctorum Angelorum nasceu em Innsbruck, Áustria, no ano de 1949. A Senhora Gabriele Bitterlich, esposa e mãe de três filhos, esteve na origem deste movimento. Desde 1949, desenvolveu-se nela uma consciência pessoal sempre mais clara de que o Senhor Jesus Cristo queria que os fiéis venerassem e invocassem mais os santos anjos e se abrissem à sua ajuda poderosa.Como autêntica cristã, porém, sempre professou a sua submissão em tudo à autoridade da Igreja. Naqueles anos, esta autoridade era o bispo de Innsbruck, Dom Paulus Rusch, com o qual sempre mantinha o contato. A partir de 1961, o Opus Angelorum estendeu-se a diversos países do mundo. Deste modo, a partir de 1977, foi a autoridade suprema da Igreja a examinar as doutrinas e práticas particulares do Opus Angelorum.
 
Com a aprovação do movimento, a Igreja reconheceu a validade fundamental da intuição fundadora da Senhora Bitterlich mas, por outro lado, também constatou, no considerável conjunto de seus escritos, diversas doutrinas e, em particular, "teorias... acerca do mundo dos anjos, dos seus nomes pessoais, dos seus grupos e funções", "estranhas à Sagrada Escritura e à Tradição", as quais "não podem servir como base para a espiritualidade e atividade de associações aprovadas pela Igreja" (cf. Decreto Litteris diei da Congregação para a Doutrina da Fé, de 6 de junho de 1992). Uma vez que o Opus Angelorum obedeceu à Igreja, abandonando aquelas doutrinas e suas consequências práticas, este se apresenta hoje com toda a razão como um movimento eclesial chamado a colaborar, mediante o próprio carisma, na missão evangelizadora e salvífica da Igreja. A base da sua espiritualidade é, portanto, a Palavra de Deus, a qual se encontra na S. Escritura e na Tradição viva da Igreja, que são autenticamente interpretadas pelo Magistério. Uma síntese da doutrina do Magistério a respeito do mundo angélico encontra-se no Catecismo da Igreja Católica (cf. CIC 328-336, 350-352).
 
Neste se lê, em primeiro lugar, que a "existência dos seres espirituais, não corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente anjos, é uma verdade de fé" (CIC 328). "Por todo o seu ser, os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Porque contemplam "constantemente a face de meu Pai que está nos céus" (Mt 18, 10), são "poderosos executores de sua palavra, obedientes ao som de sua palavra" (Sl 103, 20)" (CIC 329); "são criaturas pessoais e imortais" (CIC 330).
 
Jesus Cristo não é só o centro dos homens, mas também dos anjos: "Cristo é o centro do mundo angélico. São seus os anjos... São seus porque foram criados por e para Ele... São seus, mais ainda, porque Ele os fez mensageiros de seu projeto de salvação" (CIC 331). "Eles aí estão, desde a criação e ao longo de toda a História da Salvação, anunciando de longe ou de perto esta salvação e servindo ao desígnio divino de sua realização" (CIC 332). Por isso, este serviço se refere ao próprio Verbo encarnado e ao Seu Corpo na terra, a Igreja. "Desde a Encarnação até a Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é rodeada da adoração e do serviço dos anjos... Protegem a infância de Jesus, servem a Jesus no deserto, confortam-no na agonia, embora tivesse podido ser salvo por eles da mão dos inimigos, como outrora fora Israel. São ainda os anjos que "evangelizam", anunciando a Boa Nova da Encarnação e da Ressurreição de Cristo. Estarão presentes no retorno de Cristo, que eles anunciam, a serviço do juízo que o próprio Cristo pronunciará" (CIC 333).
"Do mesmo modo, a vida da Igreja se beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos" (CIC 334). "Em sua Liturgia, a Igreja se associa aos anjos para adorar o Deus três vezes Santo; ela invoca a sua assistência... Além disso, festeja mais particularmente a memória de certos anjos (S. Miguel, S. Gabriel, S. Rafael, os anjos da guarda)" (CIC 335).
Deste modo, "desde o início até a morte, a vida humana é cercada por sua proteção e por sua intercessão. "Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida". Ainda aqui na terra, a vida cristã participa na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus" (CIC 336). Com razão, portanto, a "Igreja venera os anjos que a ajudam em sua peregrinação terrestre" (CIC 352). A particularidade da associação Opus Sanctorum Angelorum consiste no fato de que os seus membros levam a devoção aos santos anjos àquele desenvolvimento pleno que se manifesta e se torna concreto numa "consagração aos santos Anjos", à semelhança daquilo que se verificou na história da Igreja com relação à devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Coração imaculado de Nossa Senhora (consagração ao Coração de Jesus e de sua Mãe).
 
Através da consagração ao Anjo da Guarda entra-se na Obra dos Santos Anjos. A consagração aos santos Anjos é feita por aqueles membros que querem empenhar-se mais pelos fins espirituais do movimento. Esta consagração entende-se como uma aliança do fiel com os santos anjos, isto é, como um ato consciente e explícito de reconhecer e levar a sério a sua missão e posição na economia da salvação. Como muitas espiritualidades têm as suas expressões típicas, por exemplo, o "Totus tuus" de Papa João Paulo II, assim a espiritualidade da consagração aos santos Anjos no Opus Angelorum poder-se-ia caracterizar com as palavras "cum sanctis angelis", isto é, "com os santos anjos" ou "em comunhão com os santos anjos".
 
De fato, na fé e na caridade teologal é possível uma "convivência" dos fiéis com os santos anjos como verdadeiros amigos (cf. S. Tomás, Summa Theologiae II-II, q. 25, a. 10; q. 23, a. 1, ad 1.), e assim também uma íntima colaboração espiritual com eles em vista da finalidade do desígnio salvífico de Deus com relação a todas as criaturas (cf. Ef 1, 9-10; Cl 1, 15-20; Jo 12, 32; 17, 21-23; Ap 10, 7; 19, 6-9.), já que por parte deles está garantida a cooperação em todas as nossas boas obras (cf. CIC 350: "Ad omnia bona nostra cooperantur angeli - Os anjos cooperam para todos os nossos bens" (S. Tomás de Aquino, S. Th. I, 114, 3, ad 3).
 
Esta convivência e colaboração espiritual dos fiéis com os santos anjos, na qual consiste propriamente, segundo o Estatuto supramencionado, a "natureza" do Opus Angelorum, exige obviamente não só a fé e o amor aos santos anjos - em primeiro lugar ao próprio Anjo da Guarda - mas também a aplicação prudente dos critérios de "discernimento dos espíritos". Aqui vem a propósito a seguinte explicação que se encontra no Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (p. 182: comentário a uma imagem de Jan Van Eyck): "Como na visão da escada de Jacó - "Por ela subiam e desciam os anjos do Senhor" (Gn 28, 12) - os anjos são dinâmicos e incansáveis mensageiros, que ligam o céu à terra. Entre Deus e a humanidade não existe silêncio e incomunicabilidade, mas diálogo contínuo, comunicação incessante. E os homens, destinatários dessa comunicação, devem afinar esse ouvido espiritual para ouvir e compreender essa língua angélica, que sugere palavras boas, sentimentos santos, ações misericordiosas, comportamentos caritativos, relações edificantes".
 
O Opus Angelorum fundamenta-se sobre a prontidão incondicional para servir Deus com a ajuda dos santos anjos e tem por finalidade a renovação da vida espiritual na Igreja com a ajuda deles, nas chamadas "direções (ou dimensões) fundamentais" de adoração, contemplação, expiação e missão (apostolado).
 
A ajuda dos santos anjos e a união dos homens com eles permitem a estes viver melhor a fé e também testemunhá-la com mais força e convicção. Os santos anjos, com efeito, contemplam continuamente a face de Deus (cf. Mt 18, 10) e vivem em constante adoração. De modo particularmente eficaz podem, por conseguinte, iluminar os fiéis que se abrem conscientemente à sua ação, sendo estes fiéis ajudados por eles a contemplar na fé os mistérios divinos: Deus mesmo e as suas obras (theologia e oikonomia) (cf. CIC 236), a crescer no conhecimento e no amor de Deus, a permanecer na Sua presença e a realizar uma adoração particularmente reverente e amorosa, dedicando-se à maior glorificação de Deus. A adoração, especialmente a adoração eucarística, ocupa, por isso, no Opus Angelorum o primeiro lugar.
 
Como o próprio Senhor Jesus Cristo foi fortalecido pelo Pai celeste através de um anjo para suportar a paixão redentora (cf. Lc 22, 43), assim os membros do Opus Angelorum confiam na ajuda dos santos anjos para seguir Cristo com caridade expiadora pela santificação e salvação das almas, e particularmente pelos sacerdotes. Por isso, existe no Opus Angelorum também o piedoso exercício da "Passio Domini", isto é, um tempo de oração semanal (quinta-feira à noite e sexta-feira à tarde), no qual os membros se unem espiritualmente ao Redentor no mistério da Sua paixão salvífica. Cristo crucificado e ressuscitado é, com efeito, o centro tanto dos homens como também dos santos anjos.
 
Com a aprovação do Opus Angelorum, a Igreja deu a bênção a um movimento que se caracteriza, sem dúvida, por uma devoção peculiar aos santos anjos, mas também e essencialmente - em conformidade com as propriedades características dos anjos - por uma orientação absoluta para Deus e seu serviço, para Cristo Redentor, a cruz, a Eucaristia, para a glória de Deus e pela santificação e salvação das almas. Em verdade, a consciência viva da presença e da ajuda misteriosa e poderosa dos santos anjos, servos e mensageiros de Deus, é capaz de levar os fiéis a se dedicarem confiadamente à primeira e substancial missão da Igreja: a salvação das almas para a glória de Deus. 
(©L'Osservatore Romano - 19 de Março de 2011)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

- Passio Domini.

Louvados sejam Nosso Senhor JESUS CRISTO e Sua Mãe, MARIA Santíssima.

Amados, se aproxima o memorial do Mistério de nossa salvação através da Paixão de Nosso Senhor. Eu, apesar de ser tão fraco e pequeno, fui agraciado pelo bom DEUS a comungar da espiritualidade da Obra dos Santos Anjos, pertencente a Ordem da Santa Cruz, onde de modo mais intenso vivo o Mistério do Amor de DEUS à humanidade. No espírito de expiação, os Irmãos da Santa Cruz acompanham o Senhor em oração e amor durante as horas da Sua Paixão, na quinta-­feira à noite e na sexta-feira à tarde. 
Na Quinta-feira Santa, Nosso Senhor foi até o Jardim das Oliveiras para rezar, começando assim a Sua Divina Paixão. Ali Ele rezou: "PAI, se for da Vossa vontade, afastai de mim este cálice: no entanto, não se faça a minha vontade, mas a Vossa". Então um Anjo descendo do céu apareceu-Lhe para O fortalecer. Do mesmo modo como o Anjo fortaleceu e consolou Nosso Senhor, o Eterno Sumo Sacerdote, assim nos reunimos na presença de JESUS na Eucaristia para fortalecer espiritualmente e nutrir os nosso sacerdotes, através da intercessão dos Santos Anjos. JESUS quis que o Seu Sacerdócio permanecesse na Igreja, de uma forma visível através dos sacerdotes. Por essa razão, a atenção para o sacerdócio sacramental da Igreja é uma característica essencial da Obra dos Santos Anjos.
O "Mistério Pascal" de JESUS CRISTO está no centro da nossa fé cristã. A Páscoa de JESUS realizada através de seu sofrimento, morte e ressurreição também está no centro da espiritualidade da Obra dos Santos Anjos. Os membros da OA são encorajados a realizar a memória semanal da Paixão de Nosso Senhor em união com os Santos Anjos. Começando cada quinta-feira à noite e prosseguindo até sexta-feira à tarde os membros são convidados a manter um certo grau de recolhimento e de reflexão sobre a Paixão do Senhor. Eles devem passar uma hora na quinta-feira à noite e outra hora na sexta-feira à tarde (de acordo com as possibilidades do próprio estado de vida) dedicando-se à oração e adoração, em união com JESUS CRISTO assim como Ele passou através da agonia no Jardim das Oliveiras na Quinta-feira Santa, e morreu na Cruz na Sexta-feira Santa.
Assim como o Anjo veio fortalecer a CRISTO no Jardim do Getsêmani, assim também invocamos os Santos Anjos para fortalecer-nos no carregar as nossas próprias cruzes. No entanto, a observância da Passio Domini é acima de tudo uma oração de intercessão para os outros. Durante o tempo que acompanhamos CRISTO na sua Paixão, oferecemos as gotas do Preciosíssimo Sangue de JESUS que Ele derramou por amor a nós e para a salvação do mundo. Nós oferecemos o Seu Sangue, de modo especial para os sacerdotes e para os religiosos, para que eles sejam fiéis no cumprimento de suas vocações. Também intercedemos por aqueles sacerdotes que abandonaram a sua vocação para que eles possam se reconciliar com CRISTO e a Sua Igreja.


Nosso Senhor pede que vigiemos com Ele uma hora. Qualquer pessoa seguindo este apelo do Senhor e permitindo ser conduzida pelo seu Santo Anjo, aprende, antes de mais, a força do silêncio; silêncio que é algo mais do que "Não falar". É o silêncio dos lábios e do coração, do amor à tranqüilidade e ao recolhimento; o silêncio que tem a reverência como o seu primeiro fruto. Ele também eleva o homem para o mundo das verdades da fé. Ele é o caminho para a purificação e integridade, uma arma contra toda a dissipação, distração e superficialidade.
Existem três fases na vida ascética que consideramos ser a Lei dos Santos Anjos: silenciar - escutar - obedecer. Estas três práticas, a seu tempo, deverão dar frutos e tornarem-se, por assim dizer, os atributos característicos de quem é guiado pelos Santos Anjos.
A manifestação externa destes atributos se concretiza nas quatro direções fundamentais da Obra: Adoração - Contemplação - Expiação - Missão. É nestas direções que a própria vida com o Anjo encontra a sua expressão. Estas quatro direções não são novas na Igreja. Os numerosos e diversos mosteiros, assim como diversas congregações religiosas o testemunham. Mas, aqui, é a maneira como são realizadas que é nova; também o objetivo é novo, em especial o de expiação pelos sacerdotes.
Ouvimos Nosso Senhor falando aos nossos corações, e imploramos ao PAI Celestial de permitir que uma gota do Preciosíssimo Sangue de JESUS, derramado no Jardim de Getsêmani, possa cair sobre aqueles por quem oramos. No mais profundo desespero de Nosso Senhor, Ele encontrou os Apóstolos dormindo e lhes perguntou: "Então não pudestes vigiar uma hora comigo?". Queremos passar estas três horas com nosso Salvador, para que neste tempo Ele não sofra sozinho.
Venha, então, convidamos você para se reunir conosco e com os Santos Anjos neste trabalho abençoado que fazemos em nome do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO. Amém.

mais informações: Ordem da Santa Cruz

com meu Anjo da Guarda, ferdi +M

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Nossos Anjos em louvor!!



Shalom!!

“... a vida da Igreja se beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos Anjos.” Catecismo da Igreja Católica 334

Para nossa vida de oração e luta espiritual, Nosso Senhor nos dá um amigo para nos ajudar orientar e defender.

No livro de Daniel, vemos um exemplo clássico da ajuda desses companheiros inseparáveis. Três jovens foram jogados na fornalha porque recusaram a adorar a estátua do Rei Nabucodonosor. O Rei mandou que a fornalha estivesse sete vezes mais aquecida que o normal. Mas como é descrito na Sagrada Escritura, os jovens “passeavam dentro das chamas, louvando a Deus e bendizendo o Senhor.” (Daniel 3,24).
Eles não se apavoraram após saberem da cruel sentença, nem se lamentaram, mas louvaram ao Senhor!! E neste louvor se aproximou um Anjo de Deus, e louvou com eles, os livrando da morte.

Nosso Anjo também gosta de juntar-se ao nosso louvor e adoração. Não há alegria maior a um Anjo da Guarda, do que ver seu protegido no bom caminho, adorando ao Senhor Deus. Os Anjos como nós, foram criados para adoração de Deus, e são qualificados para o Seu serviço, tendo como missão ensinar a humanidade a louvar também.

Os Anjos não cessam de engrandecer o Nome do Senhor Jesus, e sustenta a nossa adoração. Pela nossa concupiscência, deixamos que as coisas do mundo, as atuais “estátuas de Nabucodonosor” nos tirem a atenção que deveria só ser dada a Deus, mas esses Seres Celestiais são perfeitos, e não há o que os impeça de adorar. Quanto mais estivermos unidos ao nosso Anjo da Guarda, mais próximos de Deus nós estaremos, constantes na adoração.

Costumo dizer que a adoração a Deus não deve ser somente um verbo, uma ação, mas um estilo de vida. Quando estamos em sintonia com nosso Santo Anjo em louvor a Deus, Deus começa ser intimo de nós. E Deus permite que ouçamos nosso Anjo da Guarda nos orientar, e nessa experiência mística, nos livramos de cair nas tentações cotidianas. E há muita eficácia naqueles que se deixam orientar pela voz de seu Santo Anjo.

O louvor tem uma força exorcística e afasta o maligno de nosso ambiente. Quando o louvor se encontra em nossos lábios e em nosso coração, o inimigo de Deus se incomoda, pois, ele se recusou a louvar e adorar ao Senhor. Quando os demônios escutam um louvor, eles se recordam do lugar que eles perderam no céu por sua própria culpa, e fogem até um lugar onde não haja um verdadeiro louvor.

Amados, se nunca louvássemos ao Senhor, viveríamos sem sentido e nunca encontraríamos uma razão existencial. Que triste é ver alguma pessoa que não crê em Deus, de onde ela veio? Para onde irá? O que a preenche? Valeu à pena?

A Santíssima Eucaristia é o mais perfeito louvor que a humanidade pode oferecer a Deus. O Nosso Anjo espera ardentemente a nossa ida a Santa Missa, a visita a um Tabernáculo, ao Sacramento da Reconciliação.

Irmãos, devemos sempre nos perguntar se louvamos Nosso Senhor como deveríamos. Se somos amigos do nosso Anjo da Guarda e junto dele adoramos a Deus. E também se ouvimos as suas recomendações...



“Nossa alma deve transformar-se num instrumento muito delicado, com o qual nossos Anjos apresentam a Deus sua adoração.” Mãe Gabriele Bitterlich, Opus Sactorum Angelorum

Deus te abençoe,

Com meu Anjo da Guarda,

Fernando.

Salve Maria!!